quinta-feira, 3 de novembro de 2011

ALGUNS CONCEITOS DE CULTURA


CULTURA ERUDITA: Foi denominada de cultura letrada até o século XVIII. Era uma cultura marcada por traços religiosos, onde foi principalmente disseminada pelas escolas, monásticas, catedráticas e universidades, sendo também conhecida como cultura eclesiástica ou clerical, pois durante todo este tempo, a cultura escrita era monopolizada pelos membros da hierarquia eclesial.

CULTURA POPULAR: Também denominada de cultura laica ou folclórica. Na Idade Média, chamavam-na de cultura “vulgar”, pois a origem destas palavras para os medievos dava significado a tudo aquilo que não era clerical. A cultura popular surge mais espontaneamente e de forma mais direta expressa à mentalidade da época. Está sujeita a menos intermediações, tem menos regras preestabelecidas e se diferenciava dos valores e práticas oficiais.

CULTURA INTERMEDIÁRIA: Surge da simbiose entre a cultura erudita e a cultura popular. A permutação existente entre estes dois pólos é que dar forma a cultura intermediária, pois esta passa a ser praticada por todos os membros que constituem uma dada sociedade. É denominada como conjunto de crenças, costumes, técnicas, normas e instituições conhecidas  e aceitas pela grande maioria dos indivíduos de uma sociedade.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

SACRALIDADE / RITUAL

      Sacralidade é toda uma realidade compreendida como sagrada. Esta comporta nas entrelinhas uma dimensão sobrenatural, que está velada por crenças e sentimentos que tornam objetos, monumentos, patrimônios - simbolos sensíveis envoltos por poderes divinos e divinizantes. Neste caso, a sacralidade torna o fato concreto, portador de forças transcendentes, onde o invisível se traduz por intermédio do sentimento de fé pessoal e coletiva, que se manifesta nos objetos sagrados ali presentes.
    Rituais são as práticas religiosas que servem  para interpretar as coisas do além a se tornar manifestas naquele momento sagrado. Os rituais ligam o homem, ser imanente a Deus, ser transcendente; sendo um veículo exclusivo para que as forças sobrenaturais possam se tornar "sensíveis". Os rituais são celebrações de fé, onde a  gratidão, a petição, o contrato, se tornam manifestas, numa sintese de sentimentos, em que homem e divino se fundem numa mesma realidade humano-divina.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Transcendência Religiosa

       É a capacidade de superar os limites normais, adjetivo que pode ser a entidades de diversas naturezas. Conceito em que Deus pode estar próximo ou muito distante de determinado sujeito. È pela transcendência existente no homem, que ele tem  conhecimento de Deus como uma possibilidade natural, pois Deus,  é o fundamento dessa transcendência. Cada homem, na sua consciência, sabe que tem que se haver diretamente com Deus.
        A transcendência é estabelecida no homem como um dom de Deus, determinada pela autocomunicação ontológica da natureza espiritual de Deus, dada como a sua imagem a todo e cada homem, para que o homem possua aptdão de conhecer e amar a Deus. È conhecendo, amando e escolhendo a Deus, que o homem viverá na graça de Deus, sendo esta graça, como que uma preparação temporal que possibilita ao homem receber, na sua consumação em plenitude,  a autocomunicação perfeita de Deus em glória.

domingo, 30 de outubro de 2011

RESENHA DO FILME NARRADORES DE JAVÉ


 NARRADORES DE JAVÉ

O filme Narradores de Javé, de Eliana Caffé, conta a história de um povoado fictício denominado Javé, que está prestes a ser inundado por via da construção de uma hidrelétrica. Nestas circunstâncias os moradores do pequeno lugarejo, ameaçados pela hipótese de perder tudo o que ali se havia construído no decorrer de toda uma vida, de suplantar todas as suas reminiscências e deixar para trás a sua própria identidade quanto ao seu lugar de origem, entram em “parafusos”.
            Neste dado momento, um senhor já de idade dá uma idéia. “Não inunda se virar coisa importante, patrimônio”. Como assim patrimônio? Todos queriam saber como e de que forma isto poderiam ser feito. Estavam todos curiosos e fariam de tudo pra que não pudessem de forma alguma abandonar o pequeno lugarejo. Mas pra que Javé pudesse se transformar em patrimônio histórico fazia-se necessário que houvesse documentado de alguma forma toda a história da cidade, principalmente o histórico da sua fundação. Mas como se faria isto se Javé era um lugar tão pequeno, que nem existia no mapa?
            O Próprio mentor da idéia sugere que seja escrito em um livro a historia do lugar. Mas como se faria isto se em Javé todos eram analfabetos? Eis uma preocupação! Mas havia alguém que poderia ajudar. Antônio Biá era o carteiro da acanhada cidadezinha, e este havia sido degredado de exercer o seu ofício diário – pois consta num dos episódios do filme que Biá escrevia cartas em nome dos moradores de Javé por sua própria conta, para manter a sua profissão e continuar trabalhando. Porém a atitude incorreta de Biá é descoberta e este definitivamente é impedido de exercer o seu trabalho.
            Os habitantes de Javé vêem que esta é uma forma de Biá se redimir. E é incumbida a ele a missão de escrever o referido livro que futuramente seria o documento oficial usado para tombar e salvaguardar o pacato lugarejo como patrimônio histórico e cultural da humanidade.
            É neste momento que ingresso com uma das discussões que trata este ilustre filme – a relação entre o oral e o escrito. No filme Biá é conhecido como dado a florear as coisas, a enfeitar, distorcer os fatos, a usar da sua subjetividade. Deste modo pode se pensar no papel do historiador, que de certa forma usando da sua subjetividade constrói conjecturas e interfere direto ou indiretamente na história.
            Tendo como base a história de vida dos moradores de Javé e principalmente o relato oral de memória dos mais velhos, pra que estes possam contar como se deu a gênese do lugar, o que na história é chamado de “mito de origem” entra o papel de quatro personagens principais que de acordo com os seus relatos, foram os seus antepassados que fundaram a cidade. Cada qual conta a história a sua maneira de forma que sejam reconhecidos como sendo parte da casta do fundador da cidade de Javé. De acordo com as personagens, cada qual defende a sua narrativa como sendo veredicta. Desta forma percebe-se aqui que há uma disputa de memória.
             O primeiro entrevistado relata que o fundador foi Idaléssio que veio se fixar no lugar com a sua gente na época do ouro que sendo este vencido numa disputa pela conquista de território sai fugindo com a sua família e seu povo e vem habitar em Javé. Percebe-se aqui o intrometimento de Biá na tentativa de modificar a fala do entrevistado, segundo ele, “fugir não é algo digno” porque não “sair em retirada, em marcha ré de cara pro inimigo”. Este não é o único momento em que acontece de Biá dar controvérsia a fala dos personagens. Já Maria Dina diz que a instituidora do lugar foi uma mulher. Javé, segundo a entrevistada era uma comunidade matriarcal e que supostamente a fundadora fazia parte dos antepassados da personagem.
            O terceiro entrevistado é Firmino. Este faz um relato similar ao do primeiro entrevistado, só que discorda no momento em que Idaléssio saiu fugindo com o seu povo. Ele diz que saiu em retirada, confirmando com a suposição feita por Biá. Desta forma nota-se aqui a constante disputa de relatos, e as varia0ções e aperfeiçoamento pelo quais estes são submetidos.
            O quarto entrevistado é Pai Cariá outro personagem de origem africano, diz que foram os seus antepassados que fundaram Javé e faz o relato de toda a história sendo cantada no idioma de seu povo. Desta forma o nome do fundador se assemelha aos nomes cognominados pelos outros personagens. Idaleco este é o nome e a narrativa prossegue até que este se cala, pois se vê impedido pelas idéias e palpites que propõe Biá durante todo o contexto da história.
`           O filme ainda prossegue com outras entrevistas, outras histórias, porém as quatro que foram aqui destacadas discutem o que já fora supracitado nas linhas anteriores – “o mito de origem”.  É bastante interessante a história de Javé, pois o filme se encontra  eivado de vários aspectos bíblicos. A começar pelo próprio nome da localidade e  a maneira como este é inundado, o que evoca a passagem bíblica do dilúvio. Nesta circunstância observa-se que como no livro do Gêneses tudo parte de um mito de origem, de como se encontrou explicação para que os fatos fossem acontecendo. Em Narradores de Javé, as narrativas acontecem de forma semelhante e que explica o mito de origem da acanhada cidadela.
            Outro aspecto que podemos destacar no filme, é como este, através dos relatos orais das personagens, se aproxima tanto dos aspectos da tradição oral quanto da história oral. De certa forma, não podemos deixar de se colocar evidências com a história oral, sendo assim podemos enfatizar a história de vida de cada morador, e um dos aspectos que se evidencia nas narrativas orais é que esta por excelência resgata informações não registradas, mas que permanecem na memória e nas práticas do cotidiano.
             A tradição oral, que é algo que se nota com preponderância nas entrevistas concedidas pelas personagens, pelo simples fato de se está evocando para o momento presente as práticas sociais, culturais e religiosas de um grupo e que estas consistem na identidade, sobrevivência e consistência deste grupo. Estes são aspectos que se pode observar em quase todo o percurso do filme através dos relatos memoráveis dos entrevistados.
            Voltando ao que discutíamos a princípio – a relação entre o oral e o escrito, é chegada a hora da pronta entrega do livro, Biá se omite e pede que um garoto possa fazer a entrega do mesmo. Para surpresa dos moradores as páginas do livro permanecem em branco. Talvez Biá tenha entrado em parafusos com a complexidade de tudo que lhe fora relatado, e decidiu, não por querer, mas porque convinha deixar que tudo fosse oralmente expressado, já que passando da forma oral para o escrito, ele estaria dando limitações à complexidade do oral que se torna tão substancial nas reminiscências e memórias de cada indivíduo.
           

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O Adventismo na Região do Cariri


 O Adventismo na Região do Cariri

No Ceará, os primeiros adventistas que estiveram nesta região foram os colportores (pessoas que vendem literaturas referentes a vários temas como: saúde, drogas, educação e religião). A princípio esses colportores junto com o pastor Rubens Lessa decidiram vir evangelizar aqui na região do Cariri.
Ao chegarem a Barbalha viram uma grande placa que dizia: “Atenção senhores protestantes: Barbalha de Santo Antônio já se acha evangelizada.”, lembra o pastor. Eles decidiram começar o trabalho em Crato não porque tiveram medo da reação do povo em Barbalha, mas o plano era começar pelo Crato, que era uma cidade grande, de cultura elevada, sem preconceito religioso e muito bela. Uma publicação de 1958 de José de Figueiredo filho faz uma apologia a belíssima cidade: “O Crato teve importante papel na história do Ceará, como possuidor de importantes estabelecimentos de ensino e de grande riqueza cultural”.
O Cariri sempre foi uma região privilegiada por ser um vale verde com muitos mananciais de água, balneários, uma chapada extraordinária que faz toda a beleza do lugar e teve reconhecida oficialmente a primeira Floresta Nacional, a FLONA-ARARIPE. Se destacou principalmente em relação a educação, sendo que na cidade de Crato foi fundada a primeira faculdade de Filosofia. Também o Cariri se destaca por conter uma grande religiosidade popular, especialmente herdada por pessoas que marcaram a história do lugar, especificamente a história de Juazeiro, Crato e Barbalha.
 Entre as pessoas que marcaram a narrativa histórica da cidade e contribuíram na construção da religiosidade estão: Frei Carlos de Ferrara, que sua historiografia de vida está ligada a cidade de Crato, especificamente a Igreja deste lugar, aos povos nativos que ali viviam e a formação da cidade. O Padre Cícero, fundador da cidade de Juazeiro do Norte, o qual se tornou santo popular ainda em vida, pessoa de muita bondade, um líder religioso muito prudente e Juazeiro não seria hoje o que é se não fosse o Padre Cícero. Ícone da religiosidade do Povo Caririense. E Padre Ibiapina grande pregador da palavra de Deus, percorria todo o Nordeste em busca de ajudar as pessoas que tivessem maior dificuldade e que fez história na região do Cariri e em Barbalha, onde construiu uma casa de caridade e outras obras em favor do povo.
As três cidades supracitadas e todo o Cariri cearense possuem um povo bastante arraigado à fé católica. Pregar o protestanismo e fundar igrejas protestantes por essas terras foi bastante dificultoso, pois o povo não aceitava de forma alguma outro tipo de fé que não fosse o catolicismo. Muitos missionários que puseram os pés nesta região enfrentaram muitos obstáculos, a missão foi um tanto dificultosa, mas, mesmo em meia a tantas vicissitudes, continuaram firmes com o intuito de cumprir a sua missão.
Como já se sabe, o adventismo na região caririense também chegou por meio dos folhetos, leituras voltadas para a educação e também pela literatura bíblica. Tudo teve início com os colportores que vendiam livros por esta região, em parceria com o pastor Lessa e alguns obreiros decidiram fazer um evangelismo no Crato. Procuraram alugar um salão, mas não acharam nenhum local disponível, pois todos estavam “cheios de rapaduras”. Como não acharam salão no Crato, decidiram fazer o evangelismo em Juazeiro do Norte, pois lá no centro da cidade havia um cinema que estava fechado. Alugaram então o local e começaram o evangelismo lá, através de reuniões e de conferências.
As primeiras dificuldades que tiveram pela frente estavam principalmente ligadas a figura do Padre Cícero, fundador da cidade e considerado santo na mentalidade popular. O santo padre é reverenciado por multidões de romeiros que vêm das mais distantes partes do nordeste e de todo o país. Juazeiro é considerada a “cidade santa”, a “Meca do Nordeste” assim mencionadas em várias obras de autores ilustres como Ralf Della Cava, e José de Figueiredo Filho, entre tantos outros. È uma das cidades que concentra grande multidão de peregrinos que acreditam no santo milagreiro, e se deslocam constantemente a Juazeiro em busca de alento e salvação. Crentes de que a fé no Padre Cícero pode mudar as suas vidas.

“Portanto, as peregrinações aos “lugares santos” são destino de concentração da expressão máxima de crentes e passa a ser motivo de deslocamento de uma imensa massa de viajantes, que buscam através da fé, a esperança, o milagre, a superação de sua infelicidade, a cura emocional e a materialização dos desejos de amor, perdão e misericórdia. O santuário, o local sagrado passa a ser visto e definido como um lugar privilegiado de evangelização e de libertação”. (DIAS, 2004. p. 98)

Apenas 24 anos após a morte do padre Cícero (1958) foi feita a primeira tentativa oficial de evangelizar Juazeiro do Norte com a mensagem adventista. O evangelismo começou no segundo semestre de 1958.
O público de classe média era formado por crianças, jovem e a maioria adulta. O evangelismo começou num sábado a noite seguiu no domingo, terça e finalmente quinta. Quatro reuniões por semana. Nos três meses que se seguiram foram realizadas mais de trinta reuniões. Tudo levava a crer que ao final uma igreja seria estabelecida, a julgar pelo interesse das pessoas. Mas no último domingo, à hora da missa o padre fez um pronunciamento: “Se o padre Cícero fosse vivo não deixaria os protestantes invadirem a cidade”. A freqüência às reuniões do evangelismo incomodou e feriu o domínio que os católicos tinham sobre a cidade que outrora era total. Como efeito do pronunciamento a assistência ao evangelismo caiu significativamente constando apenas um pequeno número de pessoas. Esses remanescentes permaneceram até o final do evangelismo. A ação da igreja Católica não ficou nisso. Houve uma concentração na Praça Padre Cícero com discursos inflamados.
Segundo consta na obra de Diniz, só não houve um acontecimento trágico porque naquela noite à recepção do evangelismo, chegou um senhor que nunca tinham visto e avisou: “Olha, lá na praça tem cerca de três mil pessoas e eles vêm para cá acabar com vocês.”. Rapidamente despediram o povo e fecharam as portas. A multidão chegou armada de paus e gritava ininterruptamente palavras de ameaças a ponto de fazerem os missionários temerem. Alguém, vendo que poderia ocorrer uma tragédia, foi avisar à polícia, que veio em um Jipe e os levou para casa.
A multidão se dispersou, mas o ódio permaneceu em seus corações. Nas noites seguintes seu alvo foi a casa onde se hospedavam os evangelistas. Segundo Diniz, jogavam pedras grandes, colocavam fezes embaixo da porta. Até mesmo o dono da casa que havia locado o imóvel onde se reuniam sofreu essa última agressão, tendo seu comércio sido também alvejado por fezes, em represália por, mesmo sendo católico, ter locado uma casa aos protestantes. O caso foi comunicado ao secretário de segurança do estado, que veio falar com os padres. A partir daí a perseguição de caráter físico cessou e eles terminaram a conferência em paz.

“Era difícil ser crente em Juazeiro... por muito tempo... era difícil realizar cultos ao ar livre. Quase sempre eram interrompidos pelos fanáticos. Multidões chegavam de repente e começavam a chingar os crentes. Jogavam areia, pedras ou qualquer coisa que encontrassem. Ás vezes era necessário a presença de policias militares. Apesar das perseguições, os crentes não deixavam de pregar o evangelho por toda a cidade”. (DINIZ, 2008.p. 31)

Antes de vir pregar em Juazeiro do Norte, muitos missionários foram advertidos de que embora o vale do cariri tenha algumas cidades grandes seria muito difícil porque o povo é fanático pelo padre Cícero. Alguns foram desencorajados de vir porque sairiam em pouco tempo.
A oposição vinha dos líderes religiosos católicos, os quais tentavam a todo custo, afastá-los e expulsá-los da cidade. Segundo Diniz, o clero fazia muita pressão sobre quem trabalhasse para os missionários ou mesmo quem lhes vendessem alimentos ou ajudassem de qualquer forma. As formas de perseguição eram variadas, mas, duas se destacavam: O padre insuflava uma multidão para interromper seus cultos ou conferências; e grupos diferentes se organizavam por conta própria e perseguiam os crentes. Apesar das perseguições, os crentes não deixavam de pregar o evangelho por toda a cidade.
No nordeste, pregar publicamente uma doutrina não muito popular era temerário. Pois, além de sofrer insultos, ameaças e agressões físicas, havia igrejas evangélicas que se opunham fortemente à mensagem adventista. Apesar dessas dificuldades, a mensagem adventista conseguiu penetrar a região do cariri, conquistando muitos adeptos. A Igreja Adventista do Sétimo Dia na região do Cariri conta hoje aproximadamente com 1500 membros, distribuídos em 27 congregações.
 Para tanto saga da igreja adventista na região caririense é um exemplo de persistência em levar a verdade evangelizadora a um lugar onde o catolicismo se fazia e ainda hoje se faz forte. Mas naquela época a dificuldade era maior ainda, pois até então, em Juazeiro do Norte os que pretendiam pregar outro credo, eram bastante perseguidos e sofriam muitas ameaças e injúrias, tanto por parte dos adeptos do catolicismo – os fiéis – quanto pelos padres que insuflavam nas pessoas a aversão a outros tipos de crença, especificamente aos protestantes por durante o tempo da reforma, estes se puseram contra a Igreja Católica e seus princípios.
Porém, vistos que tinha uma missão a cumprir os missionários protestantes se agarravam a palavra de Deus e a fé que tinham de transformar a vida das pessoas que andavam por caminhos errantes e anunciar o tempo do fim, para que ainda houvesse tempo de purificar o corpo e a alma para a segunda vinda de Jesus Cristo. E este tempo estava cada vez mais próximo, visto que muitas profecias bíblicas que anunciavam o fim estavam acontecendo.
Durante a missão, muitas pessoas se converteram e aderiram a nova religião que chama atenção devido ao estilo de vida de seus fiéis e também por se dedicarem bastante à obediência aos dez mandamentos, principalmente ao quarto que se refere a guarda do dia do Senhor, onde todas as escrituras sagradas, apontam para o Sábado.

domingo, 14 de agosto de 2011

Senhora Santana - Umburanas - Ce

       Durante o mês de Julho o distrito de Umburanas esteve em festa, louvando sua eterna padroeira Senhora Santana. A Festa de Umburanas como é conhecida por todos os disitritos que compõem a cidade de Mauriti, é uma das maiores festas dos santos padroeiros deste lugar. E acredite, é a que mais rende dinheiro para a Diocese de Crato.
       Bem, a festa tem início no dia 16  de Julho, com a bandeira de Senhora Santana, que é conduzida pelos devotos as margens do riacho Umburanas, para que o mastro seja molhado nas águas do pequenino rio. O término a essa devoção se dá no dia 26 com a tradicional Missa de Senhora Santana e se segue com a saudosa procissão acompanhadas por milhares de pessoas advindas de todos os distritos mauritienses.
       A tradiconal festa, ocorre a mais de 100 na pequena capela de Umburanas e recebe visitantes de vários lugares do Brasil que vem no intuito de louvar a Santana e reecontrar seus familiares. Este ano a festa contou com mais de 3 mil devotos que animaram a festa dentro e fora da igreja participando das quermeces e apresentações culturais.
     A  festa de Santana em Umburanas é uma manifestação da cultura e religiosidade que emanam do coração do povo sertanejo. No próximo ano, participe da festa de Santana e prove da fé que encanta este povo.

Fonte: Comunidade Umburanas - orkut

Fonte: Comunidade Umburanas - orkut

Fonte: Comunidade Umburanas - orkut

fonte: Comunidade Umburanas - orkut

Fonte: Comunidade Umburanas - orkut

Fonte: Comunidade Umburanas - Orkut

Fonte: Comunidade Umburanas - orkut

sábado, 13 de agosto de 2011

OS EX-VOTOS DE JUAZEIRO DO NORTE - CE


Nos relatos por meio dos bilhetes em agradecimento de curas no milagre, obtidos especificamente por doenças físicas atípicas do corpo humano e outras graças existentes na Casa dos Milagres em Juazeiro do Norte, alguns chamam a atenção pela experiência de fé expressa pelo fiel, que envolto pela crença intrépida no Padre Cícero, encontra nele o acalento para suas dores cotidianas.
A fé é uma experiência pessoal e intransponível. No caso de Raimundo Augusto da Silva, a sua mãe se tornou mediadora, pois vendo o filho pequeno e doente, sobretudo desenganado pela ciência terrena, busca solução na intervenção divina, valendo-se da fé autentica para salvá-lo. O mais curioso é que a fé devota, para o fiel não basta para que a cura aconteça – carece de permuta, de favores entre o necessitado da graça e o santo protetor.  A promessa se torna de fato um contrato, pois quando valida pela intercessão do santo, o cumprimento da mesma é feito sem reservas e neste caso, pagá-la é uma lei santa que não pode ser revogada. Sendo assim relata em um bilhete emoldurado, que não data ao certo a época em que foi trazido o objeto da permuta pela graça.
 “RAIMUNDO AUGUSTO DA SILVA, nasceu em 9 (nove) de Julho de 1950, muito doente. Ficou em constante tratamento durante 1 (um) ano e 8 (oito) meses e mesmo assim foi desenganado por todos os médicos. Nessa ocasião fiz uma promessa a Bendita Alma do Meu Padrinho Cícero Romão Batista, de que se meu filho sarasse, eu contaria a estória do milagre, num quadro com duas fotos, uma da época da doença e outra depois de curado, emolduraria e colocaria no pé da estátua do santo Pe e para a minha alegria ele se recuperou imediatamente, ficando completamente curado[...]. Assim sendo, agradeço a graça recebida e cumpro a minha promessa”.
A senhora Maria Socorro da Silva, foi contemplada pela cura inequívoca do filho, e assim sem hesitar cumpriu o prometido e sacralizou ainda mais sua relação com o santo de sua devoção. Não importa neste caso, explicações da ciência médica para o fato, o que se constata por meio desta mensagem é a experiência de fé intocável desta senhora que, dispensa os dados científicos para explicá-la. Ela agradece cheia de fé, ao feito que para ela se tornou marco histórico e digno de anuncio para os que assim queiram apreciar seu testemunho. 
 “Assim sendo, agradeço a graça recebida e cumpro minha promessa. Por ser verdade o que aqui relato, assino o presente documento, eu a mãe do mesmo e deixo meu endereço, para que qualquer pessoa interessada em verificar a veracidade dos fatos aqui relatados, possa fazê-lo”.
         São muitas as graças concedidas e que seguem agradecimento nos bilhetes, juntamente com os ex-votos dependendo da graça, ou em envelopes que são deixados em caixas, cestinhas confeccionadas de material de palhas e outros são deixados aos pés da imagem do Padre Cícero no interior da Casa dos Milagres.
Em outro bilhete que encontramos datado de 21 de Julho de 2006, nos chama a atenção a gratidão da fiel que se configura nos incontidos agradecimentos pela presença espiritual, do santo sobremodo, porque este esteve presente no momento em que se entrelaçavam pelo sacramento do matrimônio. É notória a convicção religiosa da cristã que pede a intercessão do Padre Cícero para a proteção familiar, sobremodo do seu filho. O Testemunho escrito realça o contrato com o santo, que portado de prestígio diante de Deus, tem o poder de favorecer a devota com graças inefáveis. No relato, a mulher se remete diminuta, pecadora, por não ser tão reta perante Deus, e pede de forma complacente para que seu filho não venha a pagar pela vida desregrada segundo a sua compreensão, praticada pela mesma no passado. Ela acredita que a herança do pecado produz efeitos mórbidos na própria posteridade familiar. O Padre, enfim, tem o poder de imunizar seu bebê livrando-o dos males hereditários. Assim relata:
“Primeiro gostaria de agradecer a presença no meu casamento, fiquei honrada com a sua presença, me senti muito feliz e calma, (...). E venho também por meio desta Carta te pedir mais uma graça, essa a mais importante de todas, a SAUDE do meu bebê. O senhor é o padrinho dele e como presente eu gostaria que o senhor desse a ele uma vida saudável, ele merece. Eu cometi muita bobagem o que ele não merece pagar. Se tiver seqüelas que tenha pra mim. Sei que posso contar com o senhor meu Padim Ciço  e já agradeço por que sei que o senhor vai me ajudar no meu parto que será logo, logo(...).  E estou ansiosa esperando sua presença no dia do nascimento  do meu bebê. Eu entrego a saúde do meu filho em suas mãos e sei que vai dar tudo certo”.
 Também pode se verificar que a mulher manifesta um “complexo de culpa” por sua vida precedente e além de interceder pela vida do filho, ainda propõe ao Padre Cícero o apadrinhamento para ratificar ainda mais a proteção inequívoca do mesmo. O contrato se estabelece no ato da promessa, pois a mulher já manifesta sua fé autentica, que traduz a eficiência milagrosa do Padre Cícero. Ela fala que sentia a presença do santo no dia do casamento e já tem certeza no dia do parto que tudo transcorrerá dentro da normalidade.
É notório neste relato a preocupação concreta com sua vida conjugal e familiar e impossibilidade sem o auxílio divino de prever o seu próprio futuro, e ancorada na intervenção miraculosa do Padre, tudo será encaminhado de forma profícua. Contudo, mesmo crendo na epifania da ação do santo, a promessa se consumará no seu cumprimento por parte do santo, quando da graça alcançada e manifesta em sinal de retribuição a graça alcançada.
Neste outro relato, a felicidade do devoto se concretiza na cura tornada fato, tendo como foco a família Kress, que constatou a reabilitação extraordinária da saúde de Eugen. O fato foi que a perna deste esteve prestes a ser amputada, e que ao interpelar a alma do Padre Cícero por intermédio de uma promessa sente o seu pedido ser atendido sem reserva pela Bendita Alma do Santo protetor. A Cura neste caso já não podia ser efetivada pela medicação humana, pois a diabetes crônica já postulava a amputação posterior de um dos membros inferiores do senhor Eugen. Nesta circunstância, entra em sena, a fé indiscutível da esposa, que não perdendo as esperanças intercede convictamente e sente com o coração que aos fiéis do padre Cícero a solução está sempre presente.
             “A Família KRESS, residente no Rio de Janeiro, vem testemunhar, em nome de Deus, a graça alcançada pele intercessão da alma do Padrinho Cícero Romão Batista, pela recuperação da saúde  de seu esposo EUGEN, cuja perna esteve ameaçada de amputação por uma diabetes crônica. Fica este testemunho como prova da verdade”.
           O milagre se concretizou, fruto da fé, e do poder do Padre Cícero que como santo protetor, manifesta sua práxis miraculosa em situações aparentemente insolúveis, aos olhos da ciência. O testemunho escrito, segundo a devota, comprova o fato da manifestação poderosa do Padre Cícero, que curou de forma indubitável a enfermidade relatada.
           Pode se notar semelhanças entre o primeiro relato analisado com este último. De ambas as formas as devotas, fazem uma analogia involuntária entre a fragilidade da ciência puramente humana, que não consegue curar a enfermidade citada. A ciência divina, mesmo oculta aos sentidos externos, opera historicamente, restabelecendo a saúde por completa, onde a intervenção humana se torna limitada.

quinta-feira, 17 de março de 2011

INQUIETAÇÕES DE LUTERO


Imagem de: pelasescrituras.blogspot.com
A Alemanha do século 16 refere-se a um período bastante árido e pedregoso, para que um padre agostiniano pudesse alicerçar ali os fundamentos de uma reforma. Mas, Lutero não pretendia fazer uma reforma, nem tampouco se contrapor a Igreja Católica. O que Lutero carecia de fato era encontrar na vida monástica uma forma de achar-se digno e merecedor da salvação eterna, algo que era a preocupação geral dos que viveram naquela época.
            Se mergulharmos profundamente no âmago daquele universo poderemos de forma empática perceber tamanho sofrimento: Lutero se encontra inquieto, amargurado com o espírito amedrontado, por não se achar merecedor da salvação. Esta inquietude, não só afligia o jovem Lutero, como também  era fruto de um país completamente desordenado, onde as pessoas viviam numa forma de egocentrismo, que prevalecia as vontades de alguns em contra partida com as aspirações de outros. Este era um dos aspectos que se tornava cada vez mais visível, tanto na Alemanha, como em toda a Europa.
            Consultando a história alemã daquela época, constata-se um período de muita turbulêcia. A Alemanha se mostrava um terreno fértil para que se desenvolvesse uma economia burguesa. As construções erigidas de formas majestosas, e as cidades explendorosas que  davam ênfase a aspectos financeiros, comerciais e industriais fortificava a triade “trabalho, iniciativas, e riquezas” .Dessa forma, o País vivia num momento truculento que explicava  a ausência de uma unidade moral e política.
            Outro ponto que podemos analisar, para que encontremos esclarecimentos para situar o papel de Lutero no momento histórico da época, é que na ausência de um Estado centralizado na Alemanha, preponderava o poder hierárquico da Igreja Católica, em que a figura do papa era a maior representação do poder. Isto denota que as normas e dogmas da igreja jamais podiam ser contestados. O texto de Luzieto refere-se melhor ao papel da igreja neste período, onde uma das principais normas da igreja dizia que a salvação só se poderia obter com a prática de boas obras e adicionada a esta, a compra de indulgências, na tentativa de salvar almas que, no entanto já perecia no purgatório, ou aquelas que já estavam condenadas pelos pecados.
            Mas como já fora citado; esta não era a preocupação de Lutero, nem tampouco fazia parte de seus anseios. O que procurava era um meio de se sentir menos pecador e merecedor da vida eterna. No entanto o jovem agostiniano não encontrou no mosteiro o remédio devido para acalentar as suas inquietações. Mesmo sendo este muito diligente no que concerniam as regras. Porém, Lutero se arvora a estudar as leituras bíblicas, como meio de encontrar refúgio para as suas inquietações. Sendo assim através das encíclicas de São Paulo Lutero, encontra as respostas que tanto buscava para achar-se digno da salvação e que, no entanto, se contrapunha com o que pregava a Igreja Católica. Nos escritos as únicas armas pelas quais se podia se absolver os pecados e conquistar a salvação era primeiramente a fé em Deus em seguida o arrependimento dos pecados.
            Estas questões serviram de base para que Lutero venha a se contrapor com a igreja e o poder do papa. Desta forma rebate o que apregoava a igreja - não é mais a prática de boas obras e a compra das indulgências que salvariam os homens e lhes garantiam a vida eterna. E sim a fé em Deus. E Lutero usa assim, a bíblia como suporte para as suas afirmações, e conclui que esta é a única fonte verdadeira para se conhecer a palavra de Deus. Assim surge como base da doutrina luterana a infabilidade da bíblia e a justificação pela fé, através das encíclicas de São Paulo aos romanos. E nega assim a infabilidade do poder papal e põe por terra a prática das boas obras e a compra de indulgências. Desta forma se torna ainda mais árida a luta de Lutero que encontra grandes dificuldades para levar adiante o projeto que acabara de firmar – a reforma protestante.

           


           

sexta-feira, 11 de março de 2011

CONCEPÇÕES DE MITO


POIRIER e MALINOWSKI definem mitos como, desenhos, figuras retratadas em cavernas, algumas esculturas, mas que retratam uma realidade social. Houve formas de vida diferentes que tentaram repassar os seus costumes através de gestos esculpidos ou desenhados em paredes. Fazem parte de uma comunidade primitiva que na realidade existiu ou acredita-se que existiu, mas que nela está infundida uma história que perdura no tempo.

ELIADE define o mito como uma história que revelam os feitos dos deuses, ou as seus próprios desejos, mas que este passa a ter vivacidade a partir do momento que é proclamado, dito, contado – neste caso é revelado como uma verdade absoluta. Outros concebem apenas como uma narrativa, um relato que é passado de geração em geração, porém histórico uma vez que se refere as questões de crenças, criação, morte e etc.

É interessante quando Ullman cita a definição de MAUUS que vai estabelecer o mito como sendo parte da vida social. Este autor também assim como outros citados por Ullman ver no rito, ou ritual como sendo a força motriz que dar vivacidade ao mito. Mauus também deixa claro a diferença entre mitos e lendas, mitos e fábulas embora sejam constituídos de elementos análogos, porém é através desta definição que o autor do texto parte para as possíveis diferenças existentes entre elementos tão semelhantes ao mito. É o caso das formas de narrativas como: fábula, lendas, alegorias e folclore.

MAUSS revela que há crenças no relato lendário, porém a lenda é um relato que é narrado numa época comum a vida do homem, enquanto que o mito é uma narrativa que se põe fora da realidade humana. É algo que o homem não pode explicar, por que não dar conta. Está para além da sua realidade, “se coloca numa época mítica, diferente das dos homens”. Já a fábula é uma estória fictícia, imaginada, onde elementos animados e inanimados podem falar, pensar, se movimentar. Juntamente com o conto são estórias que ninguém é obrigado a crer. Segundo Mauus se crer mais nas narrativas míticas do que nestas simples estórias imaginadas.

ULLMAN define o mito como sendo uma narração ante-histórica por tratar de narrativas fora do “tempo real”. Está para além do tempo real, transcende os limites temporais. A fábula também ocorre em um mundo que não é real, um mundo imaginado, mas esta outra realidade é algo criada, articulado pela mente humana, uma história que contém elementos fictícios. Já a lenda extraí-se da vivência diária, sendo assim faz parte de um tempo real e também histórico. O que diferencia do mito é que no mito são predominam elementos de essência divina, sobrenatural, que estão além da nossa realidade. A alegoria geralmente se apresenta como uma história com sentido simbólico e literário e o folclore por se configurar por um conjunto de elementos que fazem parte as tradições, as crenças, as danças e canções populares entre outros, que são representadas de acordo com a história dos mais variados povos e civilizações do mundo. Apresenta também um teor histórico. 

ULLMAN divide os mitos em dois grandes campos. 1) Sentido amplo e genérico; 2) divisão específica dos mitos. O primeiro se subdividem em dois termos: a) Mitos etológicos, que são os tipos de narrativas que retratam o conhecimento grego – a etimologia onde as narrativas dar conta dos princípios éticos, morais, de virtudes, honrarias e etc. Contam a experiências vividas pelos primeiros homens gregos e pelos deuses. b) Mitos cosmogômicos, está ligado as grandes perguntas que o ser humano não consegue responder. Questionamentos que está realcionada a sua origem, a criaçãodo mundo, a existência de um ser criador, divino, sobrenatuaral.aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaazzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz